Tem o Rei na pista, alvo-mor de todos os motejos!
Tremelicando carnaval ébrio em descompasso
Lá e cá de braços sem ritmo, afinal já os tinha visto,
"É ele sim, Rondinha - que figurava por lá e sumiu -
Dito bailarino, mestre-sala da arritmia", e fui vê-lo.
É rei pelo descuido convencional!
É rei por não querer fazer sucesso!
É rei do movimento espasmódico!
É consagrado o Rei do carnaval!
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sábado, 26 de fevereiro de 2011
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
ANTES DA PRIMAVERA DE EVILIN
Evilin custou tempo e desespero.
Acendeu e apagou muitas vezes.
Precisa de anos pra ser moldada.
Vem em partes, tanto de cima pra baixo
Como de baixo pra cima.
Nasce personagem e deixa de ser em outra literatura.
É um desassossego feito em texto.
E não tem promessas pra ela:
Vai botar sua cara deformada na vitrine, sim
Quando for devidamente maquiada.
Acendeu e apagou muitas vezes.
Precisa de anos pra ser moldada.
Vem em partes, tanto de cima pra baixo
Como de baixo pra cima.
Nasce personagem e deixa de ser em outra literatura.
É um desassossego feito em texto.
E não tem promessas pra ela:
Vai botar sua cara deformada na vitrine, sim
Quando for devidamente maquiada.
ANTES DOS FURDUNÇOS EXISTENCIAIS NA CASA DE DONA CORINA
Tem tempo de maturação para a mais dura da fruta.
A confusão em Dona Corina, os motivos derrisórios
Guardando assunto de alto nível, assunto para entendidos,
(Vá lá que riam de suas razões)
Precisam de amadurecimento temporal.
Por enquanto, basta saber que a velhinha é um amor de pessoa.
Póstuma de carne, osso e idéias.
Tem um mote conhecido, arauto do saber humano
Que também só aparece com o tempo...
Não que minha senhora queira entender tudo
Nem que seja estudada pra entender qualquer coisa.
Duma confusão, esclarece muitas dúvidas
E a história, antes de ter início, tem volta.
Esquizofrenia ao pé da fonte
Carlos, Carlos, como ponho meus pontos em pombês? Eu realmente quero dizer que isso e isso pra toda a pombarada. Me fala, que pretendo tomar banho há tempo, não consigo com esta fonte baldeada. No calor do bate-bate dos sinos, quando refletem se de vidro, quando secam quentes se de barro, não consigo, não posso, pombarada, lavar meu cucuruto sujo de comida. Põe no pombês, Carlos. Vou colocando meus pés por aqui, na água. Não precisa dizer que tenho nojo do seu povo não. É uma questão de princípios e só. Veja se tomam banho nas nossas latrinas; não tomam nenhum de vocês. E eu, que não tenho acesso a nenhuma delas, divido a fonte multiusada com a pombarada. Vamos prezar pela boa convivência, assim em pombês. Olha aqui, olha isso aqui, chefia: não se pode molhar os pés sem relar numa sujeira de pombo. Vou te contar, e ainda vivo de mulher importunando, tome banho, tome banho. Não traduza isso em pombês, Carlos, mas se tem uma coisa que eu não gosto é banho, falei. Deixe os penudos acharem que gosto mesmo, afinal tenho que mandar pelo menos em um espaço da praça. Droga de mulher! Vá que eu vejo coisas ou fico vidrado no bater dos sinos, mas questionar o diálogo entre mim e você, Carlos? Ela é medonha. Não quando abarrota de comida o meu chapéu, aí não. Ou quando divide um fumo e por acaso escuta meus lamentinhos de aqui. É isso. Mas, voltando ao ponto, Carlos, dá pra avisar àquela senhorita peituda pra maneirar nos dejetos dentro de nossa, minha e sua, fonte? Põe no pombês, ela é meio avariada; conhecia um doutor de pombos muito bom no sertão. Ele poria todos os pombos pra falar da noite pro dia. Resolveu vir para a cidade e o pombês de aqui era muito diferente, além de seus clientes soltarem muitos cagalhões na sua banheira, falei. Sou eu mesmo, Carlos, o doutor. Meus serviços aqui são todos para você, o gênio dos pombos da cidade. Pode pôr essa história no pombês também, que é pra ver se aprendem algo e me respeitam. Pois bem, vou...
Blém!Blém!Blém!
Até tu, Carlos? De onde vêm esses velhinhos com pão na mão arrasar a minha assembléia? Tem algo estranho nesses sinos que quando tocam fazem surgir esse tipinho. Voltem companheiros, pombos. Chama todos em pombês, Carlos!
Correu para cima dos pombos que debandaram, e novamente. O pão comprava-os fácil. E a ele também. Catou alguns pedaços, mas quando olhou não tinham mais velhinhos, correram medrosos. Adiante e acima, os sinos e a velha dúvida; agora tinha de saber de que eram feitos e seus poderes. Organizaria os pombos com aquela arma ruidosa...
Blém!Blém!Blém!
Até tu, Carlos? De onde vêm esses velhinhos com pão na mão arrasar a minha assembléia? Tem algo estranho nesses sinos que quando tocam fazem surgir esse tipinho. Voltem companheiros, pombos. Chama todos em pombês, Carlos!
Correu para cima dos pombos que debandaram, e novamente. O pão comprava-os fácil. E a ele também. Catou alguns pedaços, mas quando olhou não tinham mais velhinhos, correram medrosos. Adiante e acima, os sinos e a velha dúvida; agora tinha de saber de que eram feitos e seus poderes. Organizaria os pombos com aquela arma ruidosa...
domingo, 13 de fevereiro de 2011
DONA DO ESTRAGO
Gardênia, abre as janelas, corre brisa e leva o cheiro dela;
Que é pra quando eu empombar com minhas narinas
E, de coçar, tirar sangue, deixar na carne viva
Sabatinas entre memórias de aromas indeléveis,
Saber, do lado de fora da redoma, existir um fio de odor que chama.
Toca, toca na janela, se fechada
Se adianta em qualquer fresta da taipa
Faz sopro no vidro, quando anunciada
Cilada fragrante, assalto aromático
Liberto do vidro, teor das essências
Misturadas, elas e nela, Gardênia;
Mas onde está Nela?
Tapei os buracos, não sei se respiro
Se boto, se tiro, meus dedos da fossa
Que ninguém merece, Gardênia querida
(Suspiro tristonho, fraqueza se apossa)
Gozar de perfume vitrificável...
Isso é gasto de tempo, isso é gasto de vida!
Amiga, se tenho um desejo louvável
É trazer para mim: Nela, a dona do estrago.
Que é pra quando eu empombar com minhas narinas
E, de coçar, tirar sangue, deixar na carne viva
Sabatinas entre memórias de aromas indeléveis,
Saber, do lado de fora da redoma, existir um fio de odor que chama.
Toca, toca na janela, se fechada
Se adianta em qualquer fresta da taipa
Faz sopro no vidro, quando anunciada
Cilada fragrante, assalto aromático
Liberto do vidro, teor das essências
Misturadas, elas e nela, Gardênia;
Mas onde está Nela?
Tapei os buracos, não sei se respiro
Se boto, se tiro, meus dedos da fossa
Que ninguém merece, Gardênia querida
(Suspiro tristonho, fraqueza se apossa)
Gozar de perfume vitrificável...
Isso é gasto de tempo, isso é gasto de vida!
Amiga, se tenho um desejo louvável
É trazer para mim: Nela, a dona do estrago.
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
OUTRA VEZ MARIA RONDA
Maria Ronda, no recorte, vivia estágio de sucumbir à primeira peripécia romântica de qualquer vadio de aí; fazia doce que derretia num bafo primeiro, não-me-toques forjados de uma moça velha. O buraco era o mesmo, o lodo nas calhas. Acender um cigarro pra encantar-se com qualquer homem, embora nunca o tragasse todo antes do desencanto. Toc, toc. Alfredo. Ai ai ai, ui ui ui, nem vem, nem vai, queria agora não, se enrola e cai nas graças do mar de leite roliço, na greta rubra. Dispara, Alfredo, faz esse favor pros vadios. E termina o cigarro, acende outro.
Assim alguns anos: gastou viço, ficou maior, a pele seca, garganta no fio de poucas pregas e mais. Maria Ronda, velha bactéria. Visitou-a, num dia qualquer de meia-idade, um gentleman, Radamuntonho, protagonista recém-chegado em sua trama, aquele que mudaria sua vida. Mas, na primeira impressão, o de sempre;
Com os olhos cheios
Seios na rua
Acaba seu dia maravilhada;
Leitosa molhada,
Goza servindo:
Empoleirada.
Assim alguns anos: gastou viço, ficou maior, a pele seca, garganta no fio de poucas pregas e mais. Maria Ronda, velha bactéria. Visitou-a, num dia qualquer de meia-idade, um gentleman, Radamuntonho, protagonista recém-chegado em sua trama, aquele que mudaria sua vida. Mas, na primeira impressão, o de sempre;
Com os olhos cheios
Seios na rua
Acaba seu dia maravilhada;
Leitosa molhada,
Goza servindo:
Empoleirada.
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
ADALBERTO E A LAGARTA DE FOGO
No dia foi só meia banda de pão com manteiga e três dedo de café
Saiu logo emburrado, batendo porta e o Sol nascendo.
Soltou a enxada nas costas e foi pra roça.
Zé da padaria deu bom dia sem resposta.
Topou numa pedra, "Bosta!"
Abriu a porteira e já foi logo engolindo os mando
"Adalberto, cuida hoje das touceira
Enxuga o trator novo, sem dedar a pintura
Varredura nas folhagem seca, pra já
Agua os nabo, as cenoura, os inhame e blá blá blá"
Era um repertório de faça isso e faça aquilo cansativo
Nó no intelecto do trabalhador.
Começou pelo mato, alto no joelho
Pronto pra tirar pela raiz, fazer ligeiro, raivoso
"Vidão...", rasgando as melança
Cada touceirão colado na terra, dureza só
Um graúdo teve uma atenção de vários minuto
Colocou os pé em outros dois montante de mato e tentou ele com a mão mesmo.
"Venha, venha, miserento!"
Mas de repente, na touceira do pé esquerdo, sentiu um ardor agoniante
E viu o rabo de uma lagarta de fogo desaparecendo ligeira.
Tava ali, uma vítima pra que escoasse sua febre matadeira.
Deu-lhe um faniquito emendado numa vontade de matar tão grande
Frenesi apaixonado dum matador d'aluguel
Levantou a enxada num meio pé de ira
E capinou pra matar! Mas foi pra matar mesmo!
E era mato voado aqui e ali, "Morre, condenada!"
As touceira tesa, coitadas, que não queriam sair dali
E a lagartinha se fazendo viver por baixo delas...
Pare por aí, trabalhador, pare. Quem disse?
Enloqueceu, olha:
Parava não. Comia o mato, os olho pulado, revirado
"Morre, desgraça!". E nada de lagarta estribuchada.
Foi que num acesso de capinada, deu azar
Largou a enxada na ponta do pé descalço
Pense numa gritaria sangrenta e um dedinho meado.
Os supervisor deram conta e chegaram tudo.
"Afaste, afaste daí, rapaz. Leva o Adalberto pra fazer esse dedo no doutor."
E lá foi arrastado, ódio frustrante do bichinho foguento
Por debaixo das touceira só podia tá rindo
Peluda lagarta de fogo, pavio aceso duma bomba d'arrego.
Saiu logo emburrado, batendo porta e o Sol nascendo.
Soltou a enxada nas costas e foi pra roça.
Zé da padaria deu bom dia sem resposta.
Topou numa pedra, "Bosta!"
Abriu a porteira e já foi logo engolindo os mando
"Adalberto, cuida hoje das touceira
Enxuga o trator novo, sem dedar a pintura
Varredura nas folhagem seca, pra já
Agua os nabo, as cenoura, os inhame e blá blá blá"
Era um repertório de faça isso e faça aquilo cansativo
Nó no intelecto do trabalhador.
Começou pelo mato, alto no joelho
Pronto pra tirar pela raiz, fazer ligeiro, raivoso
"Vidão...", rasgando as melança
Cada touceirão colado na terra, dureza só
Um graúdo teve uma atenção de vários minuto
Colocou os pé em outros dois montante de mato e tentou ele com a mão mesmo.
"Venha, venha, miserento!"
Mas de repente, na touceira do pé esquerdo, sentiu um ardor agoniante
E viu o rabo de uma lagarta de fogo desaparecendo ligeira.
Tava ali, uma vítima pra que escoasse sua febre matadeira.
Deu-lhe um faniquito emendado numa vontade de matar tão grande
Frenesi apaixonado dum matador d'aluguel
Levantou a enxada num meio pé de ira
E capinou pra matar! Mas foi pra matar mesmo!
E era mato voado aqui e ali, "Morre, condenada!"
As touceira tesa, coitadas, que não queriam sair dali
E a lagartinha se fazendo viver por baixo delas...
Pare por aí, trabalhador, pare. Quem disse?
Enloqueceu, olha:
Parava não. Comia o mato, os olho pulado, revirado
"Morre, desgraça!". E nada de lagarta estribuchada.
Foi que num acesso de capinada, deu azar
Largou a enxada na ponta do pé descalço
Pense numa gritaria sangrenta e um dedinho meado.
Os supervisor deram conta e chegaram tudo.
"Afaste, afaste daí, rapaz. Leva o Adalberto pra fazer esse dedo no doutor."
E lá foi arrastado, ódio frustrante do bichinho foguento
Por debaixo das touceira só podia tá rindo
Peluda lagarta de fogo, pavio aceso duma bomba d'arrego.
domingo, 23 de janeiro de 2011
HORROR EM ANAUÁ DO SUL
Se estouram rastros de boiadas antigas
Raspam seus cascos impressos na terra
Conluio de boiadeiros etéreos
Enganam quem chega no vale fantasma.
Ali, uma cidade. Ninguém por ver
Se viu, mentiu, que são almas desencorpadas
À encobrir caveiras e qualquer sinal
Das dezoito famílias ali finadas.
Eram Henriques, Otavianos, Rochas, Rosas, Oliveiras, Rodrigueses
Estrelas, Mourões
Andrades, Nogueiras, Antuneses, Uchôas, Almeidas
Di lascios, Onofres
Serrões, Ubiratãs e Leões.
Começo da contenda foi o número de boi.
Se misturavam nas pastagem muito próxima
Um Henrique reclamou várias cabeça malograda
Otavianos, ressentidos, cortaram relações
Dois Rochas, refugos de boataria, tangeram alguns perdidos pro curral
O prefeito Rosa declarou que em Anaúa do Sul não tinha vez pra malandrice
Oliveiras recolheram todo o gado do pasto
E uma anciã Rodrigues, safa na feitiçaria, macumbou toda a vida da cidade.
Daí o gado começou a mudar, horror só.
Veterinário Estrela viu os olho de bila inflamado dos bovino
"Agressividade sobrenatural e leite azedo", relatou seu Mourão.
Não fosse o velho Andrade notar um acontecimento, diriam ser doença de animal;
A menina Nogueira, loira e pequeninha, foi estripada no pasto por um touro feroz.
Deram o touro como dos Antunes, vizinhos de cerca; foi contenda e horror.
Uchôas penavam em prender seus gados, sacrificavam os mais ariscos
E os Almeidas desconfiavam de todas as outras famílias.
Daí o gado começou a mudar, horror em Anauá.
Um Di lascio escritor produziu um manual de como apascentar o gado corretamente
"Viraram demônio esses boi", mulato Onofre sangrado de chifre.
Serrões, donos maiores das boiadas, não gostaram do livreto, era chinfrim
Os bicho não melhorava, ficavam mais negro e cadavérico, ferozes.
Ubiratã tentou uma mandinga com a mãe Natureza e tudo piorou;
Baixou uma secura na cidade, todo o pasto murchou
Um negro no céu e loucura das besta nos curral.
Quando fugidas das amarra, reuniram-se no topo do Vale
E caíram varrendo as família, começando pelos Leões.
Daí o gado matou um por um, horror em Anauá do Sul.
É por essa que todos os dias na cidade decaída
Numa determinada hora da noite em que, religiosamente, descem do Vale os bois
Todo o povo fantasmagórico de Anauá do Sul varre com os dedos transparentes
Unidos na morte e na agonia, os rastros pisados das boiadas antigas.
Raspam seus cascos impressos na terra
Conluio de boiadeiros etéreos
Enganam quem chega no vale fantasma.
Ali, uma cidade. Ninguém por ver
Se viu, mentiu, que são almas desencorpadas
À encobrir caveiras e qualquer sinal
Das dezoito famílias ali finadas.
Eram Henriques, Otavianos, Rochas, Rosas, Oliveiras, Rodrigueses
Estrelas, Mourões
Andrades, Nogueiras, Antuneses, Uchôas, Almeidas
Di lascios, Onofres
Serrões, Ubiratãs e Leões.
Começo da contenda foi o número de boi.
Se misturavam nas pastagem muito próxima
Um Henrique reclamou várias cabeça malograda
Otavianos, ressentidos, cortaram relações
Dois Rochas, refugos de boataria, tangeram alguns perdidos pro curral
O prefeito Rosa declarou que em Anaúa do Sul não tinha vez pra malandrice
Oliveiras recolheram todo o gado do pasto
E uma anciã Rodrigues, safa na feitiçaria, macumbou toda a vida da cidade.
Daí o gado começou a mudar, horror só.
Veterinário Estrela viu os olho de bila inflamado dos bovino
"Agressividade sobrenatural e leite azedo", relatou seu Mourão.
Não fosse o velho Andrade notar um acontecimento, diriam ser doença de animal;
A menina Nogueira, loira e pequeninha, foi estripada no pasto por um touro feroz.
Deram o touro como dos Antunes, vizinhos de cerca; foi contenda e horror.
Uchôas penavam em prender seus gados, sacrificavam os mais ariscos
E os Almeidas desconfiavam de todas as outras famílias.
Daí o gado começou a mudar, horror em Anauá.
Um Di lascio escritor produziu um manual de como apascentar o gado corretamente
"Viraram demônio esses boi", mulato Onofre sangrado de chifre.
Serrões, donos maiores das boiadas, não gostaram do livreto, era chinfrim
Os bicho não melhorava, ficavam mais negro e cadavérico, ferozes.
Ubiratã tentou uma mandinga com a mãe Natureza e tudo piorou;
Baixou uma secura na cidade, todo o pasto murchou
Um negro no céu e loucura das besta nos curral.
Quando fugidas das amarra, reuniram-se no topo do Vale
E caíram varrendo as família, começando pelos Leões.
Daí o gado matou um por um, horror em Anauá do Sul.
É por essa que todos os dias na cidade decaída
Numa determinada hora da noite em que, religiosamente, descem do Vale os bois
Todo o povo fantasmagórico de Anauá do Sul varre com os dedos transparentes
Unidos na morte e na agonia, os rastros pisados das boiadas antigas.
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
PITIMBÓIA
Vou montar minha pitimbóia, soltar na maré rasada
Arapuca na marola, prego a isca inteira armada
Soltando cheiro n'água, que macéio flui barrento
Não se desprende, bóia, pesco crustáceo sapiens!
Cento e cinquenta jaulas pra enfeitar a panela!
Mas tem um bichão arguto, que é fêmea, ovada e larga
Que surge, Marcelino, por debaixo dos seixo e barro...
Aprumo o nailon, galgo silêncio dos encoberto na mortalha
Esperando falha, uma pata que engalhe no arame
Deslize infame, qual a forma de sugar desta patola
Cai na gaiola, que quem pesca aguarda há pouco...
E se pega, Marcelino, é, deliciosamente, crustáceo no côco.
Arapuca na marola, prego a isca inteira armada
Soltando cheiro n'água, que macéio flui barrento
Não se desprende, bóia, pesco crustáceo sapiens!
Cento e cinquenta jaulas pra enfeitar a panela!
Mas tem um bichão arguto, que é fêmea, ovada e larga
Que surge, Marcelino, por debaixo dos seixo e barro...
Aprumo o nailon, galgo silêncio dos encoberto na mortalha
Esperando falha, uma pata que engalhe no arame
Deslize infame, qual a forma de sugar desta patola
Cai na gaiola, que quem pesca aguarda há pouco...
E se pega, Marcelino, é, deliciosamente, crustáceo no côco.
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
LOCA
Quero refúgio de areia e carne sentida, doutra vez
Noutra vez, que cuspo em Ramadã de jejuar toques,
Quero encurtar o interlúdio de você.
Tem alguém na loca da alegria, dessa vez?
Três eu, dois tu, um dois.
Seria vez de fuga, mas tinha que amanhecer.
Diz que não suportam descobrir um do outro
O que ocorre.
Mas eu quero a minha furna desse jeito: enorme.
Noutra vez, que cuspo em Ramadã de jejuar toques,
Quero encurtar o interlúdio de você.
Tem alguém na loca da alegria, dessa vez?
Três eu, dois tu, um dois.
Seria vez de fuga, mas tinha que amanhecer.
Diz que não suportam descobrir um do outro
O que ocorre.
Mas eu quero a minha furna desse jeito: enorme.
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
INSTRUÇÃO PARA MONTAR
Vamo, vamos, agilize! Segura nas aba da cangaia
Vai cheia de cacarecos, só que não pá de tralha,
São minudências de um todo que se espalha
E que imploram pra te ter como aia.
Não falo de mim, burro, mulo.
É d'Aia. Tutora da cangaia.
Vai cheia de cacarecos, só que não pá de tralha,
São minudências de um todo que se espalha
E que imploram pra te ter como aia.
Não falo de mim, burro, mulo.
É d'Aia. Tutora da cangaia.
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
Recado da mãe lacrada, da mãe do melhor Júnior
Rabi, meu menino, compra um punhado de linhaça
Estou fraca.
Rabi, matreiro, leva logo meu dinheiro
Dos presentes.
Rabi, malungo, não roda pião nem bola de fone
Ora primeiro.
Matreiro.
Malungo.
Menino Deus.
Só não queira os cinco na boca;
Tu oras demais.
Estou fraca.
Rabi, matreiro, leva logo meu dinheiro
Dos presentes.
Rabi, malungo, não roda pião nem bola de fone
Ora primeiro.
Matreiro.
Malungo.
Menino Deus.
Só não queira os cinco na boca;
Tu oras demais.
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Metodologia de boca
Começo do experimento.
Sujeito um dá um trago
Sujeito dois dá o troco
Sujeito três é picado
Sujeito quatro já louco
Sujeito cinco grita e acusa
Sujeito seis cisma e aponta
Sujeito sete mira e dispara
Sujeito oito na terra se estira
Na boca, o três, o um, o quatro
O dois, o cinco, o oito,
O sete e o seis, sou cientista,
São lei.
Sujeito um dá um trago
Sujeito dois dá o troco
Sujeito três é picado
Sujeito quatro já louco
Sujeito cinco grita e acusa
Sujeito seis cisma e aponta
Sujeito sete mira e dispara
Sujeito oito na terra se estira
Na boca, o três, o um, o quatro
O dois, o cinco, o oito,
O sete e o seis, sou cientista,
São lei.
domingo, 28 de fevereiro de 2010
Isótopos ressentidos
Numa redoma de poréns, enriqueço o material para a ogiva
Tomando dores de outros, sentindo remorso antecipado...
Preparo o projetil singularmente.
Se disparo-o descuidado, termino com quem fosse
Tamanho poder do núcleo da dor desintegrado...
E esse processo é lento e cansativo
Minhas mãos já tremem.
Sou agente nuclear; o medo é um acidente.
Tomando dores de outros, sentindo remorso antecipado...
Preparo o projetil singularmente.
Se disparo-o descuidado, termino com quem fosse
Tamanho poder do núcleo da dor desintegrado...
E esse processo é lento e cansativo
Minhas mãos já tremem.
Sou agente nuclear; o medo é um acidente.
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Que não se diz IV
Tumor
Quem é você no espelho do banheiro, Elis? Quem sou eu?Sou olho cavado, descabelada, sou Elis, sou lábios finos pálidos
Sou olhar esquálido, infeliz, sou humano acabado
Sou triz.
Fora do espelho eu ando segura na barra de ferro
Sou fraca, debil, desconcertada, à caminho do vaso
Sou sexo ressecado, que diz:
Há tempo me cerro.
Elis que luta com o vaso para mandar embora o que fez.
Sou fraca, debil, infeliz terminal
Sou humano final, sou olhar morto, despelada
Sou o que diz: Amaldiçoada!
Elis que luta pra ligar a ducha.
Sou débil mental, pedido final, que eu fiz:
Quando a vazão da descarga cessar e esse filete d'água ganhar volume, quero que o banho lave minha maquiagem dormida e os poucos cabelos que me restam entupam o ralo.
Mal lavada a maquiagem
Mal caídos os cabelos
Escorregou do braço de ferro...
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
DOIS DUCADOS PERVERTIDOS
A duquesa tem dois maridos.
A duquesa tem dois maridos.
Sai o pelado e entra o vestido.
Sai o pelado e entra o vestido.
Um é o duque, marido metal.
Um é o duque, marido metal.
Outro é peão, de lenha animal.
Outro é cavalo, bicho do curral.
Quando viaja o primeiro, vestido
Quando viaja o primeiro, vestido
Grita da porta: " Adentra, Chiquinho!"
Grita do trote: " Fiel cavalinho..."
"Não mexe, peão, estava de greve"
"Não mexe, cavalo, potoca de leve"
Grunhir é vital mas não paga o vestido.
Grunhir é vital mas não paga o vestido.
A duquesa tem dois maridos.
Sai o pelado e entra o vestido.
Sai o pelado e entra o vestido.
Um é o duque, marido metal.
Um é o duque, marido metal.
Outro é peão, de lenha animal.
Outro é cavalo, bicho do curral.
Quando viaja o primeiro, vestido
Quando viaja o primeiro, vestido
Grita da porta: " Adentra, Chiquinho!"
Grita do trote: " Fiel cavalinho..."
"Não mexe, peão, estava de greve"
"Não mexe, cavalo, potoca de leve"
Grunhir é vital mas não paga o vestido.
Grunhir é vital mas não paga o vestido.
terça-feira, 18 de agosto de 2009
CRENÇA INDAGADA
-- No que crê?
Creio no Espírito Santo, na católica Igreja dos santos, pôncio maria dos ave pilatos, morto virgem crucificado o sepultado, padeceu na mansão ressucitado, Pai senhor de nossos vários filhos.
A...té!
-- Vou indo. Mas e a piedade, é de quem?
Divina. Sempre me regre, se guarde, me dome, se ilumine...
A...li!
--Aonde?
Nos céus. Santificado seja vosso reino, Céu é Terra de vossas vontades, assim no Pão que tem nos ofendido. Não nos deixeis cair hoje no Céu mas livrai-nos assim do Pão...
A...tchim!
--Saúde!
Amém.
Creio no Espírito Santo, na católica Igreja dos santos, pôncio maria dos ave pilatos, morto virgem crucificado o sepultado, padeceu na mansão ressucitado, Pai senhor de nossos vários filhos.
A...té!
-- Vou indo. Mas e a piedade, é de quem?
Divina. Sempre me regre, se guarde, me dome, se ilumine...
A...li!
--Aonde?
Nos céus. Santificado seja vosso reino, Céu é Terra de vossas vontades, assim no Pão que tem nos ofendido. Não nos deixeis cair hoje no Céu mas livrai-nos assim do Pão...
A...tchim!
--Saúde!
Amém.
sexta-feira, 19 de junho de 2009
Corda
Corda morcego, alada, ruidosa
Prato de vento à sala latrina
E um desejo calado de feliz idade
Melhor, cerca de sessenta, Melhores
Lamentos poéticos de quem passa fome
Ninguém compadece, ao menos respeita.
Misericórdia, Pai, a quem não come...
Assim morre, por miséria e corda.
Prato de vento à sala latrina
E um desejo calado de feliz idade
Melhor, cerca de sessenta, Melhores
Lamentos poéticos de quem passa fome
Ninguém compadece, ao menos respeita.
Misericórdia, Pai, a quem não come...
Assim morre, por miséria e corda.
quinta-feira, 18 de junho de 2009
Viga
Viga monstro, primor do moderno
A servir modestos hábitos de ratos
E carros ultrapassados no concreto de cima
Um bom monstro ao mendigo, o custo
Alto, sujeito a desvios, Altos
Arrepios metálicos dos miseráveis
Habitantes do monstro da ponte de ferro.
Mais não sons, venha paz...
Conheceu o concreto e as rodas do carro.
A servir modestos hábitos de ratos
E carros ultrapassados no concreto de cima
Um bom monstro ao mendigo, o custo
Alto, sujeito a desvios, Altos
Arrepios metálicos dos miseráveis
Habitantes do monstro da ponte de ferro.
Mais não sons, venha paz...
Conheceu o concreto e as rodas do carro.
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
QUE NÃO SE DIZ III
Jesus
Sai, filho do homem, descola! Fui perseguido por dentro, em minhas entranhas? Sai de mim se entra. Se é fluido, sai sai, barbudo. Mas disseram que não. É preciso mais um e não é fluido. É um sopro, abstrato. Cá está? E lá sei... Só quero que saia; cá estivesse se um prurido, toque gelado, mesmo um ventinho, houvesse. Cá ocorre? Ocorre sim... É um verme, é um gelo, é uma brisa. Cadê tu? Caiu por mim e não deixou a conta, levantou uma bandeira erguida de hipocrisia, caiu na bandeira, sufocado por ela e nem aparece, não dá as caras nem nunca me invade. Começo, já comecei a desconfiar... Falo de tudo que um dia derivou de ti, ou que antecedeu teu nascimento, tua queda, tua ascensão, tua adoração.
Sai, filho do homem, descola! Fui perseguido por dentro, em minhas entranhas? Sai de mim se entra. Se é fluido, sai sai, barbudo. Mas disseram que não. É preciso mais um e não é fluido. É um sopro, abstrato. Cá está? E lá sei... Só quero que saia; cá estivesse se um prurido, toque gelado, mesmo um ventinho, houvesse. Cá ocorre? Ocorre sim... É um verme, é um gelo, é uma brisa. Cadê tu? Caiu por mim e não deixou a conta, levantou uma bandeira erguida de hipocrisia, caiu na bandeira, sufocado por ela e nem aparece, não dá as caras nem nunca me invade. Começo, já comecei a desconfiar... Falo de tudo que um dia derivou de ti, ou que antecedeu teu nascimento, tua queda, tua ascensão, tua adoração.
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