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domingo, 8 de novembro de 2009

Daqui pra frente

Daqui pro mês que vem eu mudo a direção do mundo
Daqui pro mês que vem eu viro outro, numa estrada nova
Daqui pro mês que vem eu vou parando de mentir a vida
E quem sabe daqui pro outro ano metade de minhas palavras
Virem metade de minhas intenções
Que tornem-se metade dos meus atos
Agradando meio a meio quem pensei que agradaria.

Daqui pro outro ano se não vacilar de um monte
Eu torno os eixos pólos desconexos
Daqui pro outro ano se não com laço no pescoço
Polarizo o Equador com lã e agulha
E quem sabe uma década baste
Pra que acorde com o Norte na palma esquerda
O sul na palma direita, na cabeça o Equador
Meu sangue é magma, meu coração, núcleo
Se bato palmas, explodo mundo!
Choque inelástico atrativo
Que tira o tampo do crânio
Cuspidor de lã e agulha!
Daqui pro outro século mudo a verdade e a calúnia.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

dorme, querida

ouse sonhar tua figura deprimida
sonhe cálices de lágrimas passadas
ou que deprimida beba destas águas salgadas.

sonhe, querida, vontades mortas
sonhe a falência da tua busca inútil
ou que matasse a vontade de falir qualquer busca útil.

e que assim não tenha um sonho que venha agradar
busque e com certeza topará com o que imagino para ti:
uma parcela considerável da minha dor enquanto dorme
um grito ao acordar banhada em suor pestilento
esperança morta de dormir tranquila
e a certeza de que recorde meu rancor de todas as noites.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

recado

não quero mostrar nuvens, fumaça
nem sou louco, nem muito fumaça
das nuvens que faço chover, sai fumaça
nunca embaralhe, embaralho desta massa. fumaça.

sou os raios que correm por cima, é força.
quando meus dedos caem, imprimo força.
e diferente caem todas as gotas, diferem. fumaça.

são elas tão espalhadas no atual
pedem olhares interpretativos, há quem faça
enquanto chove minha chuva, sem fumaça
ilumiando de umidade os ressecados. sem fumaça.

cresço e mostro e falo.
regressam os que permanecem nas brumas
vou me igualando aos deuses enfeitados
vou merecendo postos, ser condecorado
vou cantando, esguio da fumaça
perseguidora, pois tem quem a faça
e num assopro grande largo, estupefaça!
chove chuva e leva ela de mim. fumaça.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

objeto maior

transponho idéias
as faço livres
apenas delas posso viver

belas idéias
e é meu direito
que ache delas que bem fazer.

se bem escritas
bem trabalhadas
já dão início, fácil ver.

faria tudo iluminado
seriam peças articuladas
construiriam botas aladas
eu voaria bem mais pros lados

de banda

eu vou sem me quebrar queu vou de banda
partirei sem ir de banda, vou tornar e encarar
sem me quebrar queu vou, pois vou de banda
vira, porra! já foi tempo de tornar

o horizonte foi, é meu pai, queu vou de banda
endireita, merda! sai da lama
lama em banda, de lado, deitado
uma nota, duas, saí de banda da lama

e assim sigo deitado, passando por lama
por mais que de banda eu siga deitado
passo sem chama, apagada ainda de banda
e é assim mesmo queu vivo: de lado. de banda.

Luiz Victor 2/10/08