domingo, 8 de novembro de 2009

Daqui pra frente

Daqui pro mês que vem eu mudo a direção do mundo
Daqui pro mês que vem eu viro outro, numa estrada nova
Daqui pro mês que vem eu vou parando de mentir a vida
E quem sabe daqui pro outro ano metade de minhas palavras
Virem metade de minhas intenções
Que tornem-se metade dos meus atos
Agradando meio a meio quem pensei que agradaria.

Daqui pro outro ano se não vacilar de um monte
Eu torno os eixos pólos desconexos
Daqui pro outro ano se não com laço no pescoço
Polarizo o Equador com lã e agulha
E quem sabe uma década baste
Pra que acorde com o Norte na palma esquerda
O sul na palma direita, na cabeça o Equador
Meu sangue é magma, meu coração, núcleo
Se bato palmas, explodo mundo!
Choque inelástico atrativo
Que tira o tampo do crânio
Cuspidor de lã e agulha!
Daqui pro outro século mudo a verdade e a calúnia.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

DOIS DUCADOS PERVERTIDOS

A duquesa tem dois maridos.
A duquesa tem dois maridos.
Sai o pelado e entra o vestido.
Sai o pelado e entra o vestido.

Um é o duque, marido metal.
Um é o duque, marido metal.
Outro é peão, de lenha animal.
Outro é cavalo, bicho do curral.

Quando viaja o primeiro, vestido
Quando viaja o primeiro, vestido
Grita da porta: " Adentra, Chiquinho!"
Grita do trote: " Fiel cavalinho..."

"Não mexe, peão, estava de greve"
"Não mexe, cavalo, potoca de leve"
Grunhir é vital mas não paga o vestido.
Grunhir é vital mas não paga o vestido.

sábado, 5 de setembro de 2009

Minerva, a Morte e O poeta
São todos os dias que escuto lá fora
Os grandes silêncios, a trova do escuro
E olho no negro, pois tento me achar.

E fecho a porta e sento na cadeira
Olhando a janela como se soubesse o que fosse acontecer
Espero bicadas! E que possa exaltar o visitante.
O conheço por meio do poeta.
Foram suas palavras que me fizeram abrir logo a janela.
As bicadas são dispensadas. E olho para onde deveria olhar
Como mandam seus lamentos por sobre velharias inteligíveis.
Temo que o conjunto de conhecimentos antigos e os renovados
Não possam com a beleza de seu som desconhecido,
Nunca mais.

Fundidas curiosidade máxima e paixão
No vôo do profeta em criatividade verdadeira
Espero O corvo como o que esperava Lenora
Mas só podia escutar que nunca mais.

Situações distintas, pois chegará,
Aplaudido por mim e pelo poeta
Na marca que não pode ser datada em meu destino
Onde a escuridão realiza-se em silêncio
E todo o conhecimento morre em suas garras.
E à tudo, direi
Nunca mais.
Esquizofrenia ao pé da santa igreja
Minha urina foi seca. Quando toquei era molhada. Brindei a taça aos velhos que dormiam ao lado. Gostava de bengalas. Madeira seca. Inda gosto da seca. O sertão foi meu. Já adquiri um daqueles chapéus de peão. Fazem dois dias que não me banho. Liberto. Os bolos estão cheirando mal. Quero dois minutos de silencio. Olha, papai, a chuva. Quando sinos batem eu quero fazer fumaça. Isto bem na hora que como na tigela de barro. A terra é molhada. Os sinos devem ser de barro. Acho que não; quebrariam. Já bebi de chuva. São de vidro. Que foi com o gado? Já pedi farinha pro senhor, mulher. São de barro. Não; quebraram. Não tem poeira porque tem chuva. Enxada. Acho que vou me dar mal. Enxada. Sinadas, cadê? Foram na chuva? Enxadas. Com os velhos de lado. Só na cabeça. Só na cabeça. Rabada. Pode servir no chapéu mesmo, mulher. Pode? Mas só porque tá cheirando mal e não banho a cabeça. São essas escadas lameadas? Algo brilha na torre. São de vidro. Mas cadê a fumaça? São de barro. Quebraram, pois são essas escadas lameadas. Que coceira! Me dá uma bengala destas... Sabe que não gosto, mulher. A fonte tá baldeada. Raiva dos pombos. Só não de Carlos porque fala. Em pombês. Disse que ralava pra manter a pombarada. Era o chefe. Taquei-lhe a pedrada. Baldearam a fonte. Certeza, certeza, não tenho. São de barro. Amarelo. Rachado do sertão. Faz tempo que não vejo a boiada. Papai tá aqui, que eu vejo! É sim. Maldita pombarada! Empresta outra bengala... Inda não tragasse, mulher? Logo hoje que tá molhada? Cadê os sinos que não tocam pra puxar minha fumaça? Ora, ora. Devo imitar e terminar minha golada. Blém! Blém! Blém! Passa o fósforo que não é de vidro nem de barro.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

CRENÇA INDAGADA

-- No que crê?

Creio no Espírito Santo, na católica Igreja dos santos, pôncio maria dos ave pilatos, morto virgem crucificado o sepultado, padeceu na mansão ressucitado, Pai senhor de nossos vários filhos.
A...té!

-- Vou indo. Mas e a piedade, é de quem?

Divina. Sempre me regre, se guarde, me dome, se ilumine...
A...li!

--Aonde?

Nos céus. Santificado seja vosso reino, Céu é Terra de vossas vontades, assim no Pão que tem nos ofendido. Não nos deixeis cair hoje no Céu mas livrai-nos assim do Pão...
A...tchim!

--Saúde!

Amém.